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Nuno Braamcamp (2009)

Escrito por U2Portugal


À semelhança do que aconteceu no passado, nomeadamente em 2004, Nuno Braamcamp da promotora Ritmos e Blues, abriu uma vez mais as portas à U2Portugal, ontem (24/09/2009), para mais uma entrevista exclusiva, tendo recebido os elementos da Team U2Portugal, Hugo Martins e Andreia Oliveira, com uma enorme simpatia e cordialidade e respondido a algumas questões pertinentes e que todos os fãs gostariam de obter resposta...

U2Portugal: Tal como na Vertigo Tour temos o final de umaleg em Portugal?

Nuno Braamcamp: Exactamente, a final da tournée. Foi anunciado hoje às 7da manhã.

U2Portugal: Já há previsões para datas de venda dosbilhetes? Postos de venda habituais?

NB: Postos de venda habituais, Fnac, tudo o que está ligadoao Pav. Atlântico, Corte Inglês, Alvalade, ABEP, Abreu, todos esses sítios vãoter bilhetes à venda.

U2Portugal:Ticketline?

NB:Ticketline não.

U2Portugal: A SIBS vai vender também, ou seja, vai havervendas por Multibanco?

NB: O Pavilhão (ndr: Atlântico) vende por MB, portanto vaihaver por MB.

U2Portugal: Uma das questões que temos para lhe colocar estárelacionada com aquela euforia que se viveu em 2005 com a vinda dos U2 aPortugal que não vinham cá desde 1997. Nessa altura foi possível comprarbilhetes de forma fácil, lembro-me de ter ido ao banco a um mês do concertoalgo que em 2005 já não aconteceu.

A que acha que se deve essa loucura?
 
NB: É U2. Não vêm cá há 4 anos, o concerto deles é fabuloso,eu fui vê-los a Barcelona, o palco não tem nada a ver com os palcos normais, éuma espécie de rampa de lançamento e ao meio tem uma nave espacial cheia deluzes que acendem e apagam, eles contactam inclusive com uma nave espacial (ndr:Estação Internacional). Não é de facto, um palco convencional aliás os palcosdos U2 nunca foram convencionais, desde que os promovo nunca vi nenhum palcoconvencional. Os palcos deles não obedecem às regras normais dos outrosartistas, mesmo os U2 não obedecem às regras dos outros artistas. Porquê?Porque normalmente são bandas que têm ligadas a eles algumas pessoas, que euconheci por exemplo agora em Barcelona, que foi o homem que desenhou o palco, eque têm uma concepção diferente, e esta concepção de palco está muitointeressante. Chama-se U2 360 tour porque além das 4 pernas que pesam 200toneladas, eles têm a meio o vídeo e o vídeo é todo à volta do palco e o vídeo chega a descer.

U2Portugal: É outro espectáculo além da música?

NB: É outro espectáculo além da música, e além disso temtambém uns corredores, umas pontes chamemos-lhe assim, que vem do palco principalpara umas passadeiras à volta do palco onde eles passam para vir tocar junto aopúblico.

U2Portugal: Nuno, em 2005 houve alguns rumores de quepoderia haver um segundo concerto, isso chegou a ser hipótese ou nunca passoude rumores?

NB: Chegou, chegou mas o problema que eu coloquei foiquantas pessoas é que deixaram de ir ao concerto? Além disso cheguei àconclusão que não havia possibilidade deles, logística, para poder haver umsegundo concerto.

U2Portugal: Será espectáculo para quantas pessoas?

NB: 50 mil.

U2Portugal: E em Alvalade quantos foram?

NB: 60 mil. Estamos a falar de um estádio mais pequeno, menos10 mil pessoas, com umas condições muitíssimo boas tal como o de Alvalade outalvez um pouco melhores porque a entrada de material é mais fácil, no entanto,eu prefiro as 50 mil de Coimbra do que as 60 mil de Lisboa. Porquê? Porquealgumas dessas 10 mil pessoas a mais estão lá em cima de tudo, ou seja,longíssimo do palco, chamemos-lhe o terceiro anel do Sporting, enquanto que emCoimbra as pessoas estão mais baixas e muito mais próximas da banda. Por outrolado tenho mais possibilidades de pôr mais pessoas em baixo (ndr: Relva) por causado tartan que em Alvalade não há.

U2Portugal: O que acha do último álbum dos U2?

NB: Gosto.

U2Portugal: Há algum tema em particular?

NB: Não, gosto do álbum em si que é muito bom. Nós estamoshabituados a ouvir as celebérrimas músicas dos U2 e há algumas que nos caíramno goto e portanto gostamos mais do que outras, agora, eu não posso medir os U2por uma música ou duas, é assim, ou nós gostamos dos U2 ou nós não gostamos dosU2. Em conversa que já tive com o Bono, digo sempre que há algumas músicas quenão me dizem tanto, não me parecem U2, mas no fim o conjunto, eu tiveoportunidade de ver agora e eles meteram uma ou duas daquelas que nós nãoconhecemos tanto mas no meio daquilo tudo acabam por brilhar.

U2Portugal: Qual é o seu álbum preferido?

NB: O Achtung Baby. Eu adoro esse álbum. Acho muito bom efoi uma altura da vida deles que tiveram muito bem. Eles não podem continuarsempre com o mesmo tipo de música, têm que inovar.

(ndr: já em relação a esta tour) Está muito bem “esgalhado”,numa das músicas que o Bono canta, ele atira o microfone, o microfone vai até láao fundo e vem, depois ele apanha-o e vem vestido de extra-terrestre (ndr: UltraViolet). Está muito bem...

U2Portugal: Coimbra apanhou muitos fãs de surpresa, sempre sepensou Lisboa ou Porto...

NB: Eu não percebo, eu tenho sido o único responsável portodas as digressões dos U2, nunca me ouviram falar de Alvalade. Hoje (dia23-09) disseram “U2 não vão a Alvalade masvão a Coimbra”, eu nunca falei em Alvalade e reparem, eu comecei a negociar istohá 6 meses e há 6 meses pus várias hipóteses, Porto, Coimbra, Alvalade eEstádio Nacional. Por razões diversas que não vou explicar à imprensa mas avocês vou-lhes dizer, o Estádio Nacional foi logo posto de parte, fiquei com osoutros três estádios, eu gosto imenso de Coimbra, gosto do estádio do Porto edo estádio do Sporting, agora vamos pensar as coisas realisticamente. Se oSporting e o Porto estiverem nas Competições Europeias, eu pergunto, eles nãopodem adiar as datas, eles têm que fazer os jogos naquelas datas. Não háhipótese nenhuma, eu negoceio com o Sporting ou com o Porto e eles chegam aaltura e dizem “Temos jogos nessa altura, esquece!” Depois há outra coisa, o peso destas pernas(ndr: Claw) vai estragar a relva, ou seja, tem que substituir metade da relvapelo menos. Não dava tempo no Porto ou no Sporting de substituir metade darelva além de que as pessoas de Coimbra são simpátiquíssimas. É bom que se digaque eu nunca falei em Estádio de Alvalade.

U2Portugal: Houve uma altura, há largos meses, antes mesmoda tour ter começado, que correram rumores e que se falou no Porto comohipótese.

NB: Correram rumores porque uma vez um jornalista disse-me“Então os U2 se um dia vierem é para o Porto?” Eu respondi “Pode ser”. Masnunca foi posto hipótese.

Nunca falei do Porto, nem do Sporting, ainda hoje nas rádioseu expliquei que não é concebível, ainda para mais uma pessoa como eu quejoguei futebol, que gosto de futebol, ou seja, conheço as regras.

U2Portugal: Os fãs e os menos fãs preferem tê-los em Coimbrado que não os terem cá...

NB: Eu tive sempre o cuidado que me dessem um fim de semana.Se o concerto é a um Sábado, Coimbra está a menos de 200 kms de Lisboa, cento epoucos do Porto, a 200 kms de Vigo...

E por aqui ficou a entrevista...obrigado Nuno Braamcamp por (uma vez mais) ter recebido de uma formaextraordinariamente simpática os fãs portugueses dos U2. Até Coimbra!

 

Dave Fanning (2005)

Escrito por U2Portugal

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Quando e como que ouviste falar da banda pela primeira vez? (Recebeste um telefonema do Adam de madrugada?)

Em 1977 eu comecei a trabalhar como DJ numa estação de rádio em Dublin. Em 1978 surgiu uma rádio chamada Big D e eu comecei então a passar música de bandas locais. Uma delas eram os U2. Não me lembro especificamente da primeira vez mas ouvi falar dos U2, toquei a demo deles...acho que algures em 1978.

Tendo em conta o cenário musical nos finais da década de 70...inícios dos anos 80...como é que os U2 encararam os desafios e as críticas? Alguma vez eles pensaram em desistir do sonho que tinham?

Não...eles nunca fizeram tal coisa. O 2º álbum, ‘October’...esse foi um momento muito complicado para a discográfica e para muita gente...acima de tudo para eles próprios. E eles estavam bem apercebidos da situação. Eu acho que...se começassem hoje, nunca teríam tido o desenvolvimento que tiveram. Hoje em dia as companhias discográficas não dão tanto tempo aos grupos. Os U2 começaram como uma banda de liceu. Eles tinham um sonho, eles sabiam o que queriam. Tinham o enorme desejo de ser músicos e tentaram ir o mais longe possível. Isso foi algo que sempre quiseram..e foi por isso que lutaram.

Se os U2 surgissem hoje, como achas que a Irlanda e o resto do mundo iríam recebê-los? Achas que o contexto musical actual daría as boas vindas a uma banda como os ‘novatos U2’? Será que eles iriam sobreviver e ser bem sucedidos como foram?

EU acho que eles não teríam o sucesso que tiveram. Uma das razões para haver sucesso...é o momento em que se surge em público. O momento certo. Os U2 começando quando e como começaram...bem, começaram e tornaram-se ‘grandes’. O Elvis teve sucesso quando surgiu...porque o fez no momento certo. A outra razão..é o tipo de música que se faz e a atitude. Eu acho que eles tinham a atitude certa para o momento que os lançou. Se surgissem hoje...bem, eu não digo que eles não teríam sucesso...mas de certeza que o impacto sería muito menor e eles não chegaríam tão longe.


O que recordas da escolha de ‘Out of Control’ como A Side do U2:3? Como e quem teve a ideia? (todo o processo de deixar os ouvintes do vosso programa escolher a música)

Eu não me consigo lembrar de quem teve a ideia. Se fui eu, se foi o Ian Wilson. Não me consigo mesmo lembrar. Nós estávamos no início de carreira. Procurávamos bandas jovens e escolhemos os U2 como exemplo daquilo que nós queríamos fazer. Trouxémos a demo deles e passámos a música na rádio. Os u2 foram a primeira banda escolhida. O single só foi lançado 3 meses depois. Era o tempo certo. Eles estavam a começar. Easte era o único programa de rádio que dava este tipo de oportunidades a bandas em começo de carreira na irlanda. Aliás, nem sequer havia muitas rádios na altura.

Eu recordo-me de um episódio específico, uma noite...não sei porquÊ...eles apareceram vestidos de Pai Natal...em Junho. Que coisa esquisita...mas foi muito divertido e chamou a nossa atenção. Era assim nos velhos tempos.

Mas em relação ao processo de escolha..nós tocámos as 3 músicas todas as noites. E o público então escolheu...Out of Control para lado A...Boy/Girl e Stories for Boys para o lado B. E eles lançaram-nas dessa forma.

Sempre houve um conflito de gerações. Como é que as várias gerações na Irlanda encaram o fenómeno U2? Apreciam, respeitam...?

Essa é uma pergunta difícil. Na Irlanda as pessoas conseguem ser bastante cínicas.Elas podem sempre falar connosco com um grande sorriso e palmadinhas nas costas e simplesmente odiar tudo o que fazemos. A Irlanda é o tipo de cidade em que isso acontece. Na América isso nunca acontecería. Na América as pessoas preocupam-se imenso...dedicam-se...se uma pessoa canta, eles aproximam-se sempre para dizer o quanto apreciam o nosso trabalho. Ma aqui isso não acontece. Até mesmo quando os U2 tocam cá. É certo ... e vocês devem saber disso ...os concertos esgotaram num instante...120000 bilhetes em apenas 60 minutos, o que é algo extraordinário. E as pessoas gostam muito de os ver tocar...mas é isso e nada mais.

A ideia que é transmitida é a de que o povo irlandês sabe ser muito respeitador (têm até uma máxima, ‘There…but for the grace of God, go I’, algo como, ‘aquele ali, se não fosse a graça de Deus, era eu’). Eles conseguem andar à vontade sem ser incomodados? Qual o segredo de tal respeito por parte das pessoas?

A fama da banda...bem, uma vez mais...em Espanha ou na América...as coisas seríam bem diferentes.
Sabes que mais? Imagina esta situação. Em Novembro passado, encontrei-me com o Paul McGuinness para ouvir o novo álbum. Depois disso fomos a uma pequena localidade a cerca de 30 Km de Dublin e fomos beber um copo a um pub. Pessoas comuns da localidade...devíam estar umas 40 no pub. Domingo à tarde, por volta das 6 horas. Provavelmente pensam que todos tentaram falar com a banda e que eles se sentiram incomodados ... mas ninguém sequer se aproximou. As pessoas não querem saber. Não lhes interessa se é uma estrela de rock ou um actor. E é assim que acontece em qualquer altura. As pessoas frequentam os mesmos locais. É um pub...ninguém se incomoda ou preocupa. Não se trata de respeito. É assim que as coisas funcionam aqui.


Os U2 sempre protegeram a sua privacidade. Qual é o segredo de um comportamento tão controlado por parte dos media?

Por um lado, se eles fazem qualquer coisa, qualquer coisa que seja, pode ser sempre notícia. Vocês podem ler uma notícia do Bono no jornal todos os dias. Mas ele não tem que ser incomodado para isso. É comum ver artigos nos tablóides ou em jornais pequenos, mas...não sei. Provavelmente as coisas também são assim controladas porque se trata da Irlanda. O Adam vive em Londres. O resto da banda vive aqui...o que é muito bom para eles. Podem sair, ir a qualquer lado. Entram e saem...e não têm que sair à pressa por causa dos repórteres ou dos fotógrafos or andar rodeados de seguranças.

25 anos depois de formarem a banda, ainda não houve alteração de membros...os álbum são lançados e atingem os topos das tabelas de vendas...e a banda continua bastante criativa e competitiva com as novas bandas e estilos de música, enquanto algumas bandas mais antigas não aguentam a corrosão dos tempos. Qual achas que é o segredo deste sucesso continuado?

Eu não faço idea. Nenhuma banda devia ser tão grande e famosa e provavelmente criativa como eles são. Eu não consigo entender como. 26 anos na carreira dos Rolling Stones..que se pode dizer? As grandes bandas no passado eram grandes porque eram notáveis ao vivo. Os Stones tiveram a digressão mais rentável no ano passado. As pessoas apreciam isso. E não há nada de errado.
Agora, em relação aos U2...esta digressão vendeu incrivelmente rápido...alguns concertos esgotaram mesmo numa questão de minutos. ..álbums a vender tanto...acho que isso em só por si é que é o fenómeno. Mas, para mim, a coisa mais incrível é eles ainda serem tão porreiros. Depois de 25 anos eles aind são fantásticos. Eles não estão como os Lef Deppard estavam com 10 anos de carreira.


Achas que o Bono gasta demasiado tempo com os seus projectos paralelos (DATA, The o­ne Campaign, combater a crise do 3º mundo). E este tipo de compromisso afecta negativamente a banda e todo o processo de criação e gravação?

Eu tereí mesmo que dizer NÃO. Nem pensar. Isso é o que ele faz É assim que ele é. Ele não consegue ser só elemento da banda 365 dias por ano.
É um fenómeno. Mas ele é assim mesmo. Muitos outros artistas fazem algumas coisas. Lembro-me do Sting. Mas o Bono é assim 24 horas por dia. Quando ele não está a trabalhar com a banda, ele está completamente comprometido com outras coisas. Eu vi fotos dele com Nelson Mandela um dia....no dia seguinte pode estar noutro ponto do mundo com um presidente... e depois já está de volta a casa...é fantástico. E é tão fácil fazer pouco disso, sabes? É fácil pensar que ele só faz isso porque parece bem, ou para estar na boca do mundo e para parecer algo que ele não é realmente. Mas há que admirar a atitude dele, porque é a forma de ele ser. Sinceramente, eu acho-o uma pessoa fenomenal. Admiro-o mesmo.


Há sinais do final dos U2? Ou eles ainda estão ‘alive and kicking’, sem vontade de acabar tão depressa?

Bem, não sei. E preciso dinheiro para fazer as coisas acontecer. Grandes digressões exigem investimento de muito dinheiro. Eles ainda têm que gerir o Principipal Management aqui em Dublin. Mas depois, também podemos pensar: então e quanto dinheiro é que eles fizeram pelo acordo do iPod com a Apple? Bastante dinheiro. Uma companhia automóvel americana quería usar a ‘Streets’ para um anúncio...não me lembro de que carro era mas o anúncio sería usado em todo o mundo. 23 milhões e meio de pounds (algo como mais de 34 mil euros. Esse foi o valor oferecido...e eles recusaram. Porque eles não precisam.
Se eles vão associar o nome deles a algo...tem que ser com um propósito por trás. Em 1988 Paul McGuinness esteve num seminário em NY e eles não queriam ‘vender-se’ ma uma marca como foi o caso do Michael Jackson com a Pepsi. Mas agora, com o início de uma nova tecnologia...e parece-me que a Apple está ser o início de algo verdadeiramente especial...eles querem estar associados a isso. Se os U2 conseguem associar o lançamento de uma edição especial do iPod com o lançamento de um novo álbum é uma óptima publicidade para o álbum. Hopje em dia é muito dificil difundir música. E sabes qual é a verdadeira prova de que foi de facto algo inteligente? 4 meses depois de ser lançado, por uma banda com 27 anos de carreira, HTDAAB já vendeu cerca de 10 milhões de cópias. Portanto, não é algo mau.

Eles gostam muito de estar em palco. Como eles dizem, ‘ao vivo é o mundo deles’. Mas eu diría que eles não estarão sempre em palco. É uma possibilidade...mas como os Stones, eles podem decidir não tocar mais. Eles podem ter 65, 70, 80 anos..e as estrelas de rock também envelhecem.

Vai começar uma nova digressão. Tem-se falado muito sobre isso. Melhor sistema sonoro...iluminação...a grandiosidade...tem sido chamada a melhor digressão de sempre. Serã que os U2 nos vão dar outra Zoo Tv (ou pelo menos um espectáculo na mesma escala)?

Eu não sei nada sobre a nova digressão. Não será por certo tão simples como a Elevation Tour em 2001, mas também não me parece que possa ser tão grande como a Zoo Tv ou a Popmart foram.


Ouvimos que a RTE vai transmitir em directo de San Diego no arranque da digressão. Que esperas desta nova fase? Uma ‘explosão mundial’?

Ainda não sei bem como vai ser. Ainda há algumas coisas que precisam de ser decididas. Ainda tenho um problemita pessoal a resolver. Mas...eu não sei o que esperar. Uma banda como os u2 não precisa de muito para fazer boas digressões. Só precisam de tocar algumas canções novas, tocar muitos clássicos...eles têm muitos na carreira deles. E isso mantém o ouvinete ocasional bastante satisfeito.

Os U2 ainda pedem os teus conselhos ou discutem contigo os seus novos projectos?

Não. Eles deixam-me ouvir o trabalho deles. Algumas vezes de tempos a tempos talvez perguntem que músicas eu escolhería para passar na rádio...quais soaríam melhor. Mas não pedem o meu conselho.

Qual foi o momento ‘U2niano’ mais marcante na tua vida?

Deixa-me pensar..talvez o verão de 1985. A estação de rádio o­nde eu trabalhava costumava organizar concertos com bandas locais, entrada livre. Era uma iniciativa muito boa porque difundia tanto a estação como as bandas jovens. Nós fizémos isso em Dublin e tínhamos uma surpresa no final do concerto. Foi por altura do lançamento do ‘Wide Awake in America’. O ‘The Unforgetable Fire’ e o ‘Under a Blood Red Sky’ tinham sido um grande sucesso. E nós conseguímos manter o segredo até ao fim. Ninguém sabia mesmo NADA. Quando eu anunciei os U2…e eles subiram ao palco…foi loucura total. Tínhamos uma ambulância preparada para dar assistência e em cerca de 30 segundos...20 pessoas sa+iram desmaiadas. Foi de doidos. As pessoas não queríam acreditar. 12.000 pessoas tinham aparecido par aver bandas locais e acabaram a ver os U2. E eles fizeram uma performance memorável. Não sei...tenho várias histórias...mas acho que esta será provavelmente a que mais me marcou.

Há histórias de uma entrevista em que os elementos da banda acabaram nús em estúdio. Queres falar disso?

(Risos) Por acaso...não foi bem assim. Eles ao início já estavam nús. Não completamente. Talvez o Bono estivesse. Eles vêm cá todos os anos para uma entrevista. Nesse dia as coisas descarrilaram por complete. Estávamos em 1987, algures entre a digressão da ‘Joshua Tree’. Era verão e estava imenso calor. O Bono entrou no estúdio e disse: ‘Vamos fazer algo diferente’. Ele teve a ideia. Eles não se despiram completamente...excepto o Bono. Eu tenho fotos disso…(risos)


E agora para finalizar…gostavas de deixar alguma mensagem para a U2Portugal e os fãs portugueses?

Bem..o que é que eu posso dizer? Eu não sei assim tanto sobre Portugal. Eu estive atento eao europeu de futebol no ano passado. Sei que a Grécia ganhou a Portugal nas finais. Estive 2 ou 3 vezes em Portugal mas não me lembro de muita coisa..estive no Algarve...acho que em Lagos.
Mas...bem, não é própriamente sobre Portugal, mas lembro-me uma noite após um concerto...o Bono saiu de palco, mais o Edge, o Larry e o Adam. Nós entrámos num carro para ir para o hotel que ficava a cerca de 40 Km. E o Bono começou a falar de como as coisas variam na europa quando se trata de fãs. Ele não mencionou Portugal. Ele mencionou Espanha, que Espanha era um país enorme e uma verdadeira loucura em relação aos fãs.

@2005 Tania Almeida/U2Portugal.com
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Nuno Braamcamp (2004)

Escrito por U2Portugal

 

 

Lisboa, 08/10/2004

Não há nenhum fã português dos U2 que não conheça este homem. Nuno Braamcamp tornou 1993 e 1997 anos vintage para todos os fãs portugueses. Foi ele que trouxe a Zooropa Tour e a Popmart Tour ao estádio de Alvalade. Falou-nos de um passado cheio de boas recordações, ou não fosse ele um fã de U2 como nós.

Mas se no passado ele nos deu muitas alegrias, e porque estamos em vésperas de nova digressão, era imperativo perguntar: e o futuro?

 

Continuar... Nuno Braamcamp (2004)