Sensações à flor da pele (Vertigo '05 / 360º '09)
Escrito por Joana Pinho
Eu sou uma fã recente dos U2. Pouco ou nada sei sobre a vida dos 4 membros da banda ou sequer discuto quais os melhores álbuns ou fases do percurso da mesma. Por isso vou apenas relembrar e tentar descrever os sentimentos que os concertos em mim despoletaram.
Posso dizer que o que senti da primeira vez que os vi ao vivo, no estádio de Alvalade em 2005, é indescritível. Nunca tinha estado numa fila, esperando, como todos os outros, ansiosamente, por tantas horas seguidas (não sei precisar a hora em que cheguei à fila mas era de manhã, relativamente cedo) mas quando estava a ficar realmente desanimada, as portas abriram e por breves momentos a excitação foi tanta que parecia que estava a entrar num mundo mágico, um palco onde todas as sensações são permitidas. Como nunca tinha tido uma aventura sequer parecida estava cansadíssima das horas de espera e aos poucos as pessoas foram-se sentando no chão para descansar antes do concerto, as pernas não queriam obedecer e, já não tenho bem a certeza, mas penso que cheguei a adormecer por uns instantes. Imaginava por essa altura como é que os outros, que já tinham estado noutros concertos em Espanha, aguentavam todo o cansaço e se mantinham com tanta garra naquela tortuosa espera. Percebi mais tarde. À medida que o tempo lentamente ia passando, o crescente formigueiro ia também aumentando, não consigo bem explicar mas uma multidão de pessoas, com o mesmo propósito, esperando por um evento que na altura era totalmente desconhecido para mim fazia-me crer que alguma coisa grandiosa me esperava.
Foi aí que apareceu a banda de abertura, os Kaiser Chiefs, e, apesar de ter gostado da banda, estava com as pernas tão dormentes que quase não conseguia mexer-me. Comecei seriamente a duvidar se iria aguentar o concerto dos U2 e voltou a sensação de desânimo.
A fase realmente indescritível foi quando os U2 entraram em palco e conseguia vê-los tão perto que dava a sensação que bastava esticar o braço para lhes tocar. A multidão ficou realmente excitada e eram tantas emoções, tanta mistura de sentidos que parece que estamos num sonho, num mundo à parte e durante aquele tempo, que parece tão pequeno, ninguém consegue abalar semelhante energia positiva, semelhante felicidade. Apesar de sentir a multidão, ela vai se esvanecendo e a certo ponto é como se fosse eu e os U2 num mundo mágico, como se estivessem apenas a tocar para mim. Durante todo o concerto não senti dores nas pernas, não senti cansaço, não senti sono, foi como se estivesse enfeitiçada. Foi aqui que me tornei “fã” dos U2 e prometi a mim mesma que se tivesse oportunidade os voltaria a ver ao vivo.
Assim, no ano passado, 2009, em Julho fui até Dublin ver os U2 pela segunda vez. Foi uma jornada difícil porque inicialmente as férias me foram rejeitadas. Passei uns meses de aperto porque tinha viagem comprada, bilhete comprado e não tinha ainda a certeza se poderia ir. Andei portanto a tentar a todo o custo evitar a excitação de um novo concerto, desta vez num país diferente e num país que, sem dúvida e por razões óbvias, tem tudo a ver com o culto dos U2. Mas como recorri o pedido de ferias, em cima da hora as mesmas foram-me concedidas e eu voltei a sonhar.
Fui numa quinta-feira dia 23 de Julho e voltei na segunda-feira, sendo que dos 3 concertos que se deram em Dublin apenas fui ao primeiro, logo na sexta-feira.
Quando chegamos a Dublin percorremos toda a cidade com as malas atrás que foi deveras engraçado. Um mapa, as malas, a máquina fotográfica e o vento a abonar em nosso favor. O tempo estava muito instável, tanto chovia como no momento seguinte já estava imenso calor. Nessa noite fomos até ao Hard Rock Cafe onde festejamos o aniversário do Hélio e bebemos, como lhes chamam os portugueses que residem em Dublin, umas pintas. Foi como uma introdução para o grande dia que vinha a seguir.

Sexta-Feira foi um dia calmo, as filas já não me custaram tanto, o tempo não passou tão devagar, os momentos de desânimo sentidos no concerto de Lisboa já não se fizeram sentir em Dublin. Os organizadores carimbaram-nos o braço e depois foi só aguardar. Várias conversas, várias brincadeiras, chuva, sol, chuva, sol.
Portanto, um dia pacifico numa fila interminável. O concerto em si foi vibrante, e, depois de quatro anos, como diria o nosso amigo alemão “four years!!! Four years i’ve waited”, as emoções voltaram a aparecer, o entusiasmo, a excitação. Adorei o concerto, a grandiosidade do palco fazia-nos sentir minúsculos e, ao mesmo tempo, enormes. Mais uma vez as emoções eram tão fortes que não existem adjectivos possíveis para descrever o evento: estar fora de casa, num país diferente, no país dos U2, onde se fala uma língua diferente e os hábitos são diferentes. Gostei do repertório mas fiquei seriamente desconcertada quando no dia seguinte, o dia do segundo concerto, soube que os U2 tocaram a Unknown Caller e eu não estava lá. No entanto foi uma experiência que nunca me hei-de esquecer.

A experiência na cidade de Dublin, apesar de não ter sido a primeira vez que lá estive, foi muito engraçada. Voltei a visitar o que mais gostei da primeira vez que lá fui, o Dublinva, que é realmente espectacular e fiquei realmente a conhecer muito bem temple bar desta vez.
Para rematar, posso também afirmar que as emoções foram muito mais fortes em Alvalade, talvez por enfrentar o desconhecido e por ter sido a primeira experiência. Mas ambas tiveram o seu impacto e é com muito carinho e saudades que relembro estes dias. Estou agradecida por ter tido as oportunidades que tive e fico ansiosamente à espera de Coimbra, com a certeza de que será também maravilhoso.

